sábado, 22 de abril de 2017

aline



aline

ainda que o tempo
não me traga o trago
daquele sacramento
em que estivemos juntos
quase dentro da fotografia
entrando no  meu olho
o movimento dos teus músculos
meus músculos nos teus lábios
algaravia exposta em nossa carne
como se uma faca já sangrasse o tempo
num futuro incerto para nunca mais

Artur Gomes
foto.poesia






sexta-feira, 14 de abril de 2017

Travessia


Travessia

de Almada vou atravessar o Tejo
barco à vela Portugal afora
em Lisboa vou compor um fado
e cantar no Porto feito blues rasgado
de amor pela senhora que me espera em paz

e todo vinho que eu beber agora
será como beijo que guardei inteiro
feito marinheiro que retorna ao cais

Artur Gomes


foto: Dudu Linhares 

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Sarau Manguinhos Vive - Dia 22 de Abril


Sarau Manguinhos Vive
Dia 22 de Abril - 18h
Programação: em Construção

Terra de Santa Cruz

ao batizarem-te
deram-te o nome: puta
posto que a tua profissão
é abrir-te em camas
dar-te em
ferro
ouro
prata
rios
peixes
minas
mata
deixar que os abutres
devorem-te na carne
o derradeiro verme

salve-lindo pendão que balança
entre as pernas abertas da paz
tua nobre sifilítica herança dos rende-vouz
de impérios atrás

meu coração é tão hipócrita
que não janta
e mais imbecil que ainda canta:
ou
viram no Ipiranga
às margens plácidas
uma bandeira arriada
num país que não levanta.

fosse o brazil mulher das amazonas
caminhasse passo a passo
disputasse mano a mano
guardasse a fauna e a flora
da fome dos tropicanos
ouvisse o lamentos dos peixes
jandaias araras e tucanos
não estaríamos assim
condicionados
aos restos do sub-humano

só desfraldando a bandeira tropicalha
é que a gente avacalha com as chaves dos mistérios
desta terra tão servil:

tirania sacanagem safadeza
tudo rima uma beleza
com a pátria mãe que nos pariu

bem no centro do universo
te mando um beijo ó amada
enquanto arranco uma espada
do meu peito varonil
espanto todas as estrelas
dos berços do eternamente
pra que acorde toda esta gente
deste vasto céu de anil
pois enquanto dorme o gigante
esplêndido sono profundo
não vê que do outro mundo
robôs te enrabam ó mãe gentil!

telefonaram-me
avisando-me que vinhas
na noite uma estrela
ainda brigava contra
a escuridão
na rua sob patas
tombavam homens indefesos
esperei-te 20 anos
até hoje não vieste à minha porta
- foi u m puta golpe

o poeta estraçalha a bandeira
raia o sol marginal Quinta feira
na geléia geral brazileira
o céu de abril não é de anil
nem general é my Brazil

minha verde/amarela esperança
Portugal já vendeu para a França
é o coração latino balança
entre o mar de dólar do norte
e o chão dos cruzeiros do sul

o poeta esfrangalha a bandeira
raia o sol marginal Sexta feira
nesta porra estrangeira e azul
que a muito índio dizia:

meu coração marçal tupã
sangra tupi & rock in roll
meu sangue tupiniquim
em corpo tupinambá
samba jongo maculelê
maracatu boi bumbá
a veia de curumim
é coca cola e guaraná

o sonho rola no parque
o sangue ralo no tanque
nada a ver com tipo dark
muito menos com punk
meu vício letal é baiafro
com ódio mortal de yank

ó baby a coisa por aqui não mudou nada
embora sejam outras siglas no emblema
espada continua a ser espada
poema continua a ser poema

Artur Gomes
FULINAÍMA MultiProjetos
In Couro Cru & Carne Viva
portalfulinaima@gmail.com
(22)99815-1266 - Whatsapp

quinta-feira, 30 de março de 2017

corpo/mar


corpo/mar
para Juliana Inhasz


ela sempre me trouxe - algas -
e agora outras águas
que percebo em nossas bocas

nesta cidade de concreto
selvagem urbana
me transpira o corpo - ereto

e a pedra da  transpiração viria
 nem se fosse angelical e casta
e até morasse num  deserto

será amor será paixão
por quê quando penso esta mulher
me dá um coice nos relâmpagos do  coração?

será ela quem me dirá
ou algum deus em mim diria
pra mergulhar nestes teus poros
 neste teu mar de calmaria

viver do amor a tempestade
pois sem paixão o que seria?

esse é o segredo
de todo mistério que o poema  tem
no teu corpo/mar vou viajar em cios
e silêncios e desbravar selvas marinhas

onde a imaginação nos leva
em ondas e tocamos pernas coxas
línguas dedos os mistérios marítimos
se desvendam e no corpo/mar
não sobrará nenhum segredo

Artur Gomes


quarta-feira, 29 de março de 2017

jura secreta 29



jura secreta 29

a luz branca de outono
deságua em mim
como mar de outrora
águas de outras eras
em ondas de sal
pra me benzer  aurora boreal
nos olhos de quem me vê

Artur Gomes





sábado, 18 de março de 2017

E Hoje o Dia!



Sarau Manguinhos Vive
Valorizando as Mulheres


SagaraNAgens Fulinaímicas


guima meu mestre guima
em mil perdões eu vos peço
por esta obra encarnada
na carne cabra da peste
da hygia ferreira bem casta
aqui nas bandas do leste
a fome de carne é madrasta


ave palavra profana
cabala que vos fazia
veredas em mais sagaranas
a morte em vidas severinas
tal qual antropofagia
teu grande serTão vou cumer


nem joão cabral severino
nem virgulino de matraca
nem meu padrinho de pia
me ensinou usar faca
ou da palavra o fazer


a ferramenta que afino
roubei do meste drummundo
que o diabo giramundo
é o narciso do meu Ser


Artur Gomes
FULINAÍMA MultiProjetos
do livro: SagaraNAgens Fulinaímicas
www.tvfulinaima.blogspot.com


quinta-feira, 9 de março de 2017

poétika


poétika

um filhote de pica-pau
fazendo a festa
no pé de cajá do meu quintal

Artur Gomes
foto.poesia
FULINAÍMA MultiProjetos
www.fulinaimicas.blogspot.com