terça-feira, 9 de janeiro de 2018

EntreDentes




Manguinhos

todo ano
o Oceano
amplo espaço
para o vento
o barco
o tempo

calmaria
temporal
e tempestades

no mar a alga
o sal
o peixe

abissal
entre os corais

em mim
tudo é mar
da foz ao cais

meu barco/corpo
flutua tuas marés
entre/navios

beber teu sal
pra re/nascer
de outra fonte

o infinito
é logo ali
do outro lado do horizonte

Artur Gomes



numa trilha de bike hoje pelo litoral percebi que o
amor é transe corporal muito além do mar de sal que me lambe as coxas entre a mata e o manguezal de Rio das Ostras

Gigi Mocidade





cabeça

ando me deliciando com a poesia de Adélia Prado onde o sagrado e o profano brincam de desencapar fios elétricos como pedras na carne e esporas ao vento Adélia tem medo de chuva de relâmpios casca de manga medo de certos bicho que não fala pra não ter que lavar sua boca com cinza.

Artur Gomes 

domingo, 7 de janeiro de 2018

meu boto cor de rosa


meu boto cor  de rosa

impossível não ter desejo eu tenho e quem nunca teve que atire a primeira pedra quem conhece em Guarapari a praia das Virtudes sabe que ali eu me deliro ali eu deito e rolo faço cama na areia brinco de sereia e canto pro meu boto encantado cor de rosa que mora do outro lado das pedras da praia dos Namorados

Federika Lispector
eu não sou santa




baby cadelinha

onde o tempo não seja movido pela imoralidade de boletos bancários você tem 24 horas para me deixar rasgar o vento no centro do teu corpo como quem deseja a faca na carne da maçã antes da última dentada desse músculo teso em tua boca branca quando me dá fome

Artur Gomes 



sábado, 6 de janeiro de 2018

santíssima trindade


santíssima trindade

érika era o azul entre a serra e o vinhedo teus lábios em minha boca teus seios entre meus dentes teus mamilos entre meus dedos  outubro 2008 eu a desejava paixão violenta desde o primeiro dia que a vi no Bar Dois Coqueiros lamparina por todos os poros naquela noite de poesia no Cefet em Bento Gonçalves-RJ ela ia aos poucos se abrindo em uvas como quem estivesse se oferecendo para  com tudo no palco o amor em estado bruto  que antevia o sexo não tinha mais dúvidas que naquela noite iríamos ao ato consumado não cabia mais em mim o silêncio das metáforas incandescentes descemos do palco abraçados como dois amantes em direção a rua quando num corredor da janela lateral ela me deu um beijo na boca e me apresentou a mãe  gelei mas seguimos para jantar na despedida outro beijo na boca e segui com a mãe para a cama

Artur Gomes

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Mostra Cinema Ambiental

Mostra Cine Ambiental
exibição de  curtas mostrando a situação
ambiental de diversas cidades brasileiras
27 - janeiro - 2018 - 21:00h
Estação 353 - São Francisco do Itabapoana

sem meias palavras ando descalço
pra pisar a lavra da palavra chão

Studio Fulinaíma Produção Audiovisual



EuGênio Mallarmé

Meu ator preferido desabafava ontem comigo sobre as dificuldades de subir ao palco hoje para interpretar grandes personagens. Para ele não há mais diretores e produtores preocupados em produzir teatro, e sim, entretenimento, besteirol, stand up. Discípulo direto de Antonin Artaud reclama desse vazio monumental fazendo com que grandes atores se exilem dentro do seu próprio corpo.

Cristina Bezerra

“Quem sou eu?
De onde venho?
Sou Antonin Artaud
e basta que eu o diga
Como só eu o sei dizer
e imediatamente
hão de ver meu corpo
atual,
voar em pedaços
e se juntar
sob dez mil aspectos
diversos.

Um novo corpo
no qual nunca mais
poderão esquecer.
Eu, Antonin Artaud, sou meu filho,
meu pai,
minha mãe,
e eu mesmo.
Eu represento Antonin Artaud!
Estou sempre
morto.Mas um vivo morto,
Um morto vivo.
Sou um morto
Sempre vivo.
A tragédia em cena já não me basta.
Quero transportá-la para minha vida.
Eu represento totalmente a minha vida.
Onde as pessoas procuram criar obras
de arte, eu pretendo mostrar o meu
espírito.
Não concebo uma obra de arte
dissociada da vida.
Este Artaud, mas, por falta do que fazer…
Eu, o senhor Antonin Artaud,
nascido em Marseille
no dia 4 de setembro de 1896,
eu sou Satã e eu sou Deus,
e pouco me importa a Virgem Maria.




sábado, 30 de dezembro de 2017

delírica


dentro da carne que não sai

a carne de maçã: teu corpo devorei a cada dentada metáfora  à flor da pele toda nua me recebeu na cama que era o chão da sala há 6 anos desejava teu corpo como quem deseja um prato de comida quando a fome é tonta  nossa meta é física e o amor é quântico sem lucidez alguma até que passe a fome e o amor acabe

Artur Gomes



Eu sou Umbanda

veja bem meu bem o beijo que não me deste
era gelado e derreteu teu evangelho um sacrilégio
de um mitológico Prometeu não gosto da palavra doce prefiro salamargo pra desintoxicar o fígado o sabor da minha língua é azeite sal pimenta se não agüenta sarta de banda eu sou Umbanda vou pro terreiro de Oxossi sacramentar o meu amor bater macumba na quinbanda e saravá Xangô

Federika Lispector



deLírica

sem meias
palavras
ando descalço
pra pisar a lavra
da palavra chão

Artur Gomes

com os dentes cravados na memória


com os dentes cravados na memória
entre cartas e performances A Traição das Metáforas

agosto 1996  eu acabara de falar o poema Cântico dos Cânticos Para Flauta & Violão, de Oswald de Andrade, no Sarau que rolava no hall do Hotel D´Allonder, em Bento Gonçalves-Rs onde acontecia o 4º Congresso Brasileiro de Poesia. Desci do palco e voltei a me sentar no chão em frente a Juliana Stefani que eu acabara de conhecer naquela noite. Ele me disse que gostaria de aprender a falar poesia daquela forma que acabara de ouvir.

Durante a semana circulando pelas Escolas e por outros espaços onde aconteciam os recitais não mais a vi. Mas quis o destino que voltássemos a nos encontrar, deste vez em fevereiro de 1997 quando ensaiamos e montamos uma performance com poemas de Paulo Leminski ilustrados por ela que apresentamos no point mais agitado das noites de Bentos Gonçalves naquela década, o extinto Bar Cachorro Louco.

A partir daí mantivemos uma longa correspondência via correios, discutindo poéticas, linguagens e arte em geral em  cartas carregadas de admiração mútua. Em 2002 Juliana criou a capa do meu livro BrazLírica Pereira: A Traição das Metáforas.

Artur Gomes

com os dentes cravados na memória
BraZilírica Pereira: A Traição das Metáforas





eclipse do desejo


eclipse do desejo

30 de setembro em sacramento batismo de fogo no balcão da barraca peço cerveja preta encho o primeiro copo e ofereço pra Xangô aline me olha com os olhos incendiados e sob a blusa branca dois pequenos e lindos seios rosados palpitam e me suplicam beijos dos lábios ela tira uma rosa vermelha e me entrega o signo oculto para nunca esquecê-la caminha pela ladeira até a porta da casa dos alcóolicos anônimos fotografa uma estrela cadente abre seu livro e faz um pedido nunca revelado no eclipse do desejo que levarei para toda eternidade

Artur Gomes 



poétika

a poesia revoluciona
quando atinge o estômago do leitor
que seja por amor
o soco na cara o golpe no fígado
a ferida que se abre
quando a palavra corta
como navalha afiada

Federico Baudelaire



auto-defesa

ele enfiou a faca
em minhas coxas
sangrou
e ele ria
pensando que o sexo forçado
poderia acontecer
dei-lhe um tiro na cara
foi o mínimo que pude fazer

Federika Lispector


atentado poético
para Wladimir Mayakovski

a vértebra está quebrada
a flauta já não toca
a mais de século
há muito o templo choca
o ovo da serpente
o vampiro já sugou os corpos
e roubou do povo
a dignidade de ser gente

Mocidade Independente 

atentado poético


poétika

nem santa
nem puta
apenas filha
dessa ilha
seja do que for


Federika Lispector


atentado poético

a hipocrisia aqui é muita
liberdade muito pouca
com meus dentes de navalha
vou rasgas a tua roupa
esse poema beijo/bomba
vai explodir na tua boca

Federico Baudelaire


atentado poético

a construção do poema
parede por parede
tijolo por tijolo
na carne
no osso
na fala
assim o poema vai crescendo
até a explosão da jaula

Gigi Mocidade

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

poétika 69


poétika 69

estou virado no corisco
muito além do avesso
do que chamamos carnaval

sem temer o risco
de lamber tuas belas coxas
e beber água de sal

Artur Gomes
foto.poesia

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

a traição das metáforas


com os dentes cravados na memória
entre cartas e performances A Traição das Metáforas

agosto 1996  eu acabara de falar o poema Cântico dos Cânticos Para Flauta & Violão, de Oswald de Andrade, no Sarau que rolava no hall do Hotel D´Allonder, em Bento Gonçalves-Rs onde acontecia o 4º Congresso Brasileiro de Poesia. Desci do palco e voltei a me sentar no chão em frente a Juliana Stefani que eu acabara de conhecer naquela noite. Ele me disse que gostaria de aprender a falar poesia daquela forma que acabara de ouvir.
Durante a semana circulando pelas Escolas e por outros espaços onde aconteciam os recitais não mais a vi. Mas quis o destino que voltássemos a nos encontrar, deste vez em fevereiro de 1997 quando ensaiamos e montamos uma performance com poemas de Paulo Leminski ilustrados por ela que apresentamos no point mais agitado das noites de Bentos Gonçalves naquela década, o extinto Bar Cachorro Louco.

A partir daí mantivemos uma longa correspondência via correios, discutindo poéticas, linguagens e arte em geral em  cartas carregadas de admiração mútua. Em 2002 Juliana criou a capa do meu livro BraziLírica Pereira: A Traição das Metáforas.

Artur Gomes