quarta-feira, 28 de março de 2012

Jura Secreta 18



te beijo vestida de nua
somente a lua te espelha
nesta lagoa vermelha
porto alegre caís do porto
barcos navios no teu corpo
peixes brincam no teu cio
nus teus seios minhas mãos

e as rendas íntimas que vestias
sobre os teus pêlos ficção
todos os laços dos tecidos
e aquela cor do teu vestido
a pura pele agora é roupa
e o baton da tua boca
e o sabor da tua língua
tudo antes só promessa
agora hóstia entre os meus dentes
para espanto dos decentes
te levo ao ato consagrado

se te despir for só pecado
é só pecar que me interessa

arturgomes
http://fulinaimavideografia.blogspot.com

terça-feira, 27 de março de 2012

Todo Dia é Dia D

cinema possível - jiddu saldanha


desde que eu saí de casa
trouxe a viagem de volta
cravada na minha mão
enterrada no meu umbigo
dentro fora assim comigo
minha própria condução

todo dia é dia dela
pode ser pode não ser
a bro a porta opu a janela
todo dia é dia D

há urubus no telhado
a carne seca é servida
um escorpião encravado
na sua própria ferida
não escapa
só escapo pela porta de saíde

todo dia mais um dia
de amar-te a morte morrer
todo dia menos dia
mais um dia dia D

 

sagarínica ou fulinaimânica

musadaminhacannon - may pasquetti

não sou iluminista/nem pretender
eu quero o cravo e a rosa

cumer o verso e a prosa
devorar a lírica a métrica
a carne da musa
seja branca/negra amarela
vermelha verde ou cafusa


eu sou do mato curupira carrapato
eu sou da febre sou dos ossos
sou da lira do delírio
São Virgílio é o meu sócio
Pernambuco Amaralina
vida breve ou sempre/vida Severina

sendo mulher ou só menina
que sendo santa prostituta

ou cafetina
devorar é minha sina
e profanar é o meu negócio

artur gomes

 

baby é cadelinha


césar castro - wermmer além da alma


devemos não ter pressa
a lâmina acesa sob o esterco de vênus
onde me perco mais me encontro menos
de tudo o que não sei
só fere mais quem menos sabe
sabre de mim baioneta estética
cortando os versos do teu descalabro

visto uma vaca triste como a tua cara
estrela cão gatilho morro:

a poesia é o salto de uma vara

disse-me uma vez só quem não me disse
ferve o olho do tigre enquanto plasma
letal a veia no líquido do além
cavalo máquina meu coração quando engatilho

devemos não ter pressa
a lâmina acesa sob os demônios de eros
onde minto mais porque não verus
fisto uma festa a mais que tua vera
cadela pão meu filho forro:

a poesia é o auto de uma fera

devemos não ter pressa
a lâmina acesa sob os panos
quem incesta?
perfume o odor final do melodrama
sobras de mim papel e resma
impressão letal dos meus dedos imprensados
misto uma merda a mais que tua garra
panela estrada grão socorro:

a poesia é o fausto de uma farra
 

Artur Gomes

segunda-feira, 26 de março de 2012

funk dance funk


a noite inteira invento joplin na fagulha
jorrando cocker na fornalha
funkrEreção fel fala
fábio parada de Lucas é logo ali
trilhando os trilhos centrais do braZil.
rajadas de sons cortando os ínfimos
poemas sonoros foram feitos para os íntimos
conkretude versus conkrEreção
relâmpagos no coice do coração.
quando ela canta eleonora de lennon
lilibay sequestra a banda no castelo de areia
quando ela toca o esqueleto de Lorca
salta do som em movimento enquanto houver
e federika ensaia o passo que aprendeu com mallarmé
punkrEreção pancada onde estão nossos negrumes?
nunkrEreção negróide nada.
descubro o irado Tião Nunes
para o banquete desta zorra
e vou buscar em Madureira
a Fina Flor do Pau Pereira.
antes que barro vire borra
antes que festa vire forra
antes que marte vire morra
antes que esperma vire porra,
ó baby a vida é gume
ó mather a vida é lume
ó lady a vida é life!

Profanalha Nu Rio

Profanalha NU Rio


a flecha de São Sebastião
como Ogum de pênis fala
perfura o corpo da Glória
das entranhas ao coração

do Catete ao Largo do Machado
onde aqui afora me ardo
como bardo do caos urbano
na velha aldeia carioca
sem nenhuma palavra bíblica
ou muito menos avaria

orgasmo é falo no centro
lá dentro da candelária

arturgomes

meus mestres



Auto psicografia

o poeta é um fingidor. 
finge tão completamente
que chega a fingir que é dor 
a dor que deveras sente. 

e os que lêem o que escreve, 
na dor lida sentem bem, 
não as duas que ele teve, 
mas só a que eles não têm.

e assim nas calhas de roda 
gira, a entreter a razão, 
esse comboio de corda 
que se chama coração. 

...mestre meu mestre querido
a quem uma coisa nunca doeu
nem feriu nem perturbou
fazendo o dia involuntariamente
contra a minha vontade
mas meu coração não aprendeu
a tua serenidade
meu coração não aprendeu nada
meu coração não é nada
meu coração está perdido
porque me chamaste para o alto dos montes
se eu criança da cidade dos vales
não sabia respirar ...

fernando pessoa




Poema de sete faces

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.
As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.
O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.
O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.
Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus,
se sabias que eu era fraco.
Mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.
Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.

Carlos Drummond de Andrade




Sarau Fulinaimagem - Artur Gomes



com os dentes cravados na memória


bolero blue

beber desse conchac
em tua boca
para matar a febre
entredentes
indecente é a forma que te como
bebo ou calo
e se não falo quando quero
na balada ou no bolero
não é por falta de desejo
é que a fome desse beijo
furta qualquer outra palavra presa
como caça indefesa
dentro da carne que não sai

Entre dentes 3

com os dentes
cravados na memória
soletro teu nome
cabo frio

barco bêbado
naufragado
fora do teu cais

caminha marítimo
por onde talvez
já passou meu pai
www.goytacity.blogspot.com
www.youtube.com/tvfulinaima





Zooom IN - Av. Sernambetiba/Lucio Costa ao lado do Posto 7 altura do número 5200 - Barra da Tijuca - Rio de Janeiro

sexta-feira, 23 de março de 2012

Coyote 23 traz entrevista com Moacyr Scliar e conto inédito de Daniel Wallace

A nova edição da revista literária tem também traduções de Gregory Corso e inéditos de Beatriz Bracher, Marcia Tiburi e Bernardo Vilhena

A revista literária Coyote chega à sua 23.ª edição e traz um dossiê-homenagem ao escritor gaúcho Moacyr Scliar, falecido em 2011, com uma entrevista inédita realizada em 2008. “Escrevo no aeroporto, em avião, no hotel. Aprendi a desligar do lugar onde estou e me concentrar no que estou fazendo. Não preciso ficar isolado, não preciso de silêncio, não preciso de nada disso”, diz ele ao poeta Ademir Assunção, um dos editores da revista, junto com Rodrigo Garcia Lopes e Marcos Losnak.
O novo número da Coyote traz também poemas inéditos de Bernardo Vilhena, Gregory Corso (traduzido por Reuben da Cunha Rocha), Ricardo Sternberg (brasileiro que mora no Canadá e escreve em inglês, traduzido por Maria Lúcia Milléo Martins – caso curioso: um brasileiro trazido de volta a sua língua materna por uma tradutora), Bruno Brum, Augusto de Guimaraens Cavalcanti, Renato Tapado, Rodrigo Madeira e do português Jorge Melícias. Contos de Daniel Wallace (traduzido por Cristina Macedo e Rodrigo Garcia Lopes), Beatriz Bracher e Marcia Tiburi. Ensaio fotográfico de Mara Tkotz.
Coyote tem patrocínio do Programa de Incentivo à Cultura (PROMIC), de Londrina.
 COYOTE 23 // 52 páginas  // R$ 10,00. Uma publicação da Kan Editora. Vendas em livrarias de todo o país, com distribuição pela Editora Iluminuras – fone (11) 3031-6161. Pode também ser adquirida pela internet através do site: www.iluminuras.com.br 
Contatos: losnak@onda.com.br/zonabranca@uol.com.br/ rgarcialopes@gmail.com 
Fone: (43) 3334-3299 / (43) 3322-2115 / (11) 3731-3281

 PATROCÍNIO: PROMIC - PROGRAMA MUNICIPAL DE INCENTIVO A CULTURA – PREFEITURA MUNICIPAL DE LONDRINA - SECRETARIA MUNICIPAL DE CULTURA DE LONDRINA


 blog: http://zonabranca.blog.uol.com.br
site: http://zonabranca.sites.uol.com.br

Curta em abril o 1º Festival de Cinema no IFF

Thais Tostes www.fmanha.com.br


Divulgacao
Com a proposta de estimular  e divulgar a produção audiovisual entre alunos, professores, demais funcionários e entre admiradores do cinema, o Instituto Federal Fluminense (IFF), em Campos, realiza de 16 a 20 de abril o 1º Festival Nacional de Cinema do IFF, no campus-Centro. Haverá mostras competitivas e não competitivas. Uma delas, chamada “Curta IFF”, já começou e vem exibindo produções no refeitório da instituição de ensino e no espaço Concha Acústica, simultaneamente, todos os dias. A cidade está convidada a conferir as Mostras.

O Festival visa à descoberta de novos talentos no cinema e à maior divulgação dos talentos já conhecidos. As obras inscritas – mais de cem, somando os setores competitivos e os não competitivos — são em formatos de curtas, médias e longas metragens e a temática de todas é livre. Além da Mostra Curta IFF, que é aberta a estudantes e a não estudantes, compõem o Festival as Mostras “Competitivas” e “Cinema Possível”; e a oficina “Cinema Possível”. O evento tem na curadoria o artista multimídia Artur Gomes.

A Mostra Curta IFF, na Concha Acústica, acontece todos os dias sempre das 10h às 12h e das 16h às 18h. No refeitório da escola, esta Mostra exibe filmes diariamente das 11h30 às 13h. As demais atividades acontecerão de 16 a 20 de abril. A Mostra Cinema Possível está agendada para acontecer no Auditório Cristina Bastos, das 19h às 20h. Este mesmo local aguarda as Mostras Competitivas, das 20h às 21h. E a oficina “Cinema Possível”, cuja coordenação é de Jiddu Saldanha, está marcada para ocorrer das 14h às 16h30 na sala 105. Quem pretende participar desta oficina, para a qual estão disponíveis 20 vagas, deve se inscrever antes do Festival.

O evento recebeu inscrições de filmes de estudantes e de não estudantes, de pólos do IFF tanto de Campos como de outras cidades, como Macaé, Itaperuna e São João da Barra. O Festival também contabiliza a participação de estudantes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); do Centro Educacional Leste, de Brasília; das Faculdades Atibaia (FAAT), de Atibaia-SP; da Universidade Federal de São Carlos, de São Carlos-SP; e de não-estudantes de Campos, da capital do Rio e dos Estados de Roraima, Minas Gerais e São Paulo. As Mostras Não Competitivas estão com inscrições permanentemente abertas.

De acordo com Artur, a ideia do Festival partiu da oficina Cine Vídeo que o Instituto vem implantando e, ao mesmo tempo, da proposta da gestão da escola, que pretende desenvolver uma nova mentalidade no espaço educacional. Além disso, o curador afirmou que todo o alcance do Festival — no que se refere ao número de inscritos e a qualidade das produções — se deu também por dois apoios: do Festival Curta Santos (curtasantos. com.br), que tem como presidente Júnior Braçalotte; e do Instituto Quero (www.institutoquero.org), de Santos-SP, que tem Ana Cláudia Rodrigues na presidência.

A premiação para os filmes vencedores será dada pela Fundação Pró-IFF, de acordo com informações da curadoria do Festival. No total, são três categorias para estudantes, voltadas à forma de produção dos vídeos: câmera de celular, máquina fotográfica digital e MiniDV.

Para cada uma destas categorias, haverá um filme vencedor, cujo autor ganhará uma máquina fotográfica digital. Já os autores não estudantes do IFF também concorrerão nas mesmas categorias. A premiação consiste em um Notebook para o vencedor de cada categoria. Ou seja, no total, o Festival do IFF selecionará seis filmes vencedores. (T.T.)

estiagem


estiagem

depois da chuva são moscas
mosquitos obstinados à caça de sangue
depois da chuva são poças
cheiro de terra, ciclo de rastros
depois da chuva são sapos
corte a amantes dentro do mato
depois da chuva são cantos
folhas mais leves prenhes de pássaros
depois da chuva são vidas
formas moldadas no meio da lama
depois da chuva são gotas
pendendo em extinção da borda da telha
depois da chuva são cores
reflexos de luz na umidade do ar
depois da chuva?
a gratidão é verde depois da chuva

aurora

dia desses, madrugada alta
insone, acordei a mulher
para matar saudades do adolescente
ébrio, na beira da praia, à espera do sol,
que buscava ouvir o mar chiando ao parir brasa
acompanhado, reconstituí a cena
tendo como elemento novo,
além da mulher,
a barricada baixa de nuvens
no final do horizonte
deflorada lentamente
pelos dedos róseos do poeta
ela olhou e disse que as nuvens
pareciam algodão doce
pensei e a mim lembraram ilha grande
que quando avistada da ilha seguinte
vê-se não ilha, mas continente;
imaginei após a amurada interna do forte
dos que querem manter como está
e já saem à guerra vencidos;
recordaram-me também a serra do imbé
fazendo fundos com a planície dos extintos
lhe dando vértebras;
ou ainda a conseqüência do recife
no qual convergissem todas as ondas do atlântico
açoitando a pedra e espalhando espuma
como o cheiro do quarto no amor
o sol nasceu entre nuvens e metáforas
contemplei-o até a cegueira
beijei a mulher e me despedi de homero
que fez do ouro seu anel de noivado
e saiu comendo algodão doce

 aluysio abreu barbosa

Sarau Fulinaimagem - Artur Gomes


com um repertório variado que vai de Fernando Pessoa a Torquato Neto, passando por Paulo Leminski, Drummond, Ademir Assunção, Affonso Romano de Santanna e Ferreira Gullar,  Artur Gomes comanda no próximo sábado dia 31 de março das 20:00 às 23:00hs o Sarau Fulinaimagem na Creperia & Drinkeria ZOOM IN – Av Sernambetiba,  - Barra da Tijuca -  Rio de Janeiro. Você é nosso convidado. 

Endereço: Av. Sernambetiba/Lucio Costa ao lado do Posto 7 altura do número 5.200 - Barra da Tijuca - Rio de Janeiro

Fulinaimagem
1

por enquanto
vou te amar assim em segredo
como se o sagrado fosse
o maior dos pecados originais
e a minha língua fosse
só furor dos canibais
e essa lua mansa fosse faca
a afiar os verso que ainda não fiz
e as brigas de amor que nunca quis
mesmo quando o projeto
aponta outra direção embaixo do nariz
e é mais concreto
que a argamassa do abstrato

por enquanto
vou te amar assim admirando o teu retrato
pensando a minha idade
e o que trago da cidade
embaixo as solas dos sapatos

2

o que trago embaixo as solas dos sapatos
bagana acesa sobra o cigarro é sarro
dentro do carro
ainda ouço jimmi hendrix quando quero
dancei bolero sampleando rock and roll
pra colher lírios há que se por o pé na lama
a seda pura foto síntese do papel
tem flor de lótus nos bordéis copacabana
procuro um mix da guitarra de santana
com os espinhos da rosa de Noel