terça-feira, 28 de agosto de 2012

Mãos que Tecem Redes e Enfrentam o Mar

velho pescador do Pontal - Atafona - foto: artur gomes

vivemos um tempo num país
em que homens que com suas mãos
tecem redes e enfrentam o mar
em busca do peixe/pão de cada dia
vivem entregues a própria sorte
que algum deus dará
e se não houver deus
não será sorte nenhuma
ou país nenhum terá
morrerá entregue a sua solidão
envenenados pela saliva das boiunas
que de 4 em 4 anos vomitam
de suas bocas cínicas palavras/promessas
pelos auto falantes do país
que nunca serão cumpridas

arturgomes – fulinaíma produções
mãos que tecem redes e enfrentam o mar
http://www.youtube.com/watch?v=ApVIfxbdaAM&feature=plcp

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

fulinaimicamente



do som dessa palavra
nasce uma outra palavra
fulinaimicamente
no improviso do repente
do som dessa palavra
nasce uma outra palavra
fulinaimicamente

brasileiro sou bicho do mato
brasileiro sou pele de gato
brasileiro mesmo de fato
yauaretê curumim carrapato
em rio que tem piranha
jacaré sarta de banda
criolo tô na umbanda
índio fui dentro da oca
meu destino agora traço
dentro da aldeia carioca

Jackson do Pandeiro
Federico Baudelaire
nas flores do mal me quer
Artur Rimbaud na festa
de janeiro a fevereiro
Itamar da Assunção
olha aí Zeca Baleiro
no olho do mundo
no olho do mundo cão
 
arturgomes



 
Sanya Rohen - foto: - artur gomes


a passageira da poltrona ao lado
a passageira da poltrona ao lado
observa a paisagem atentamente na janela
meus olhos focam o seu perfil na tela
meu dedo aciona o dispositivo do zoom
para ter a sua imagem mais de perto
o coração entende a sensação do seu olhar flertando a câmera
o sentido está aberto na viagem
onde a surpresa não tem planos
e a arte é puro acaso do que possa acontecer
na engenharia dos músculos que se movem
inconscientes onde poema houver
na miragem oculta numa manhã de sexta
depois de noite inteira de cerveja para perder o sono
sem saber que na poltrona ao lado
na luz desta miragem  iria amanhecer


arturgomes

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

conkrEreções


fotos: artur gomes


qualquer palavra eu invento
na carnadura dos ossos
na escridura do éter
na concretude do vento
na engrenagem da sílaba
vocabulário onde posso
dar nome próprio ao veneno
que tem no agro negócio

Artur Gomes