segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Suor & Cio


Galope

teus órgãos tem o dom
de devorar entranhas
mexendo nervos músculos
em mim, cavalo não domado
quando em tuas pradarias
esporas por querer
nossa carne nos lençóis
do mais líquido prazer

Ser/Teu

aqui me tens,
nesse segundo orgasmo:
mata-me de prazer
que ainda é tempo.

tira depois
todo excesso de saliva
que me vem à boca
após cumprido ato
no instante exato de ser  teu:
               morro
aqui, e agora
e se preciso sempre
mas o pensamento é testemunha
ontem era uma outra
quem me possuiu.

Confissão

se em ti estou
é para alimentar o que não sou
e o que sou
não é represa.

é veia pública sob patas
posta de sangue na mesa
nada mais me é surpresa.
cansei de ser correto
deixei de ser decente
eu quero mesmo é o paladar
da tua língua
entres os meus dentes

Artur Gomes
no livro: Suor & Cio



domingo, 25 de dezembro de 2016

Poema de Natal



jura secreta 14
Poema de Natal

eu te desejo flores
lírios brancos girassóis
rosas vermelha tudo quanto pétala
asas estrelas alecrim
bem-me-que e alfazema

eu te desejo emblema
deste poema desvairado
com teu cheiro teu sabor
teu suor tua doçura

e na mais santa loucura
declararte amor até os ossos

eu te desejo e posso
palavrArte até a morte
enquanto a vida nos procura

Artur Gomes

sábado, 24 de dezembro de 2016

Suor & Cio


luz do sol
molhada de mel
ponta de língua
espuma de sal
enquanto entra
no vale da púbis
quando vinga
o sol sensual
no seu estio

com a luz de cristal
gozando a fio
saliva meus dentes
enquanto beija
a boca entre/aberta
quando deixa
vagina em meus dedos
feito gueixa

poesia

I
chegas a mim
como uma égua assanhada
não quer saber do meu carinho
só quer saber de ser trepada

II
eu te penetro
em nome do pai
do filho
do espírito santo
amém

não te prometo
em nome  de ninguém.

Terra

amada de muitos sonhos
e pouco sexo
deposito a minha boca
 no teu cio
e uma semente fértil
nos teus seios como um rio

Artur Gomes
Suor & Cio

Natal




para o cristão o nascimento de Cristo é parte sagrada dos mistérios da Santíssima Trindade.  E toda vida humana é encoberta por mistérios. Mais que nunca é necessário não apenas comemorar este nascimento, mas sim refletir sobre todos os seus significados em nossas vidas e sobre o estado de  coisas que por qual passa o nosso país.

Um Feliz Nascimento a todos os amigos e amigas.

que mistérios tem clarice


que mistérios tem clarice
o rio o mar o corcovado
a rocinha o méier
engenho de dentro

que mistério tem o centro
a direita a esquerda
a massa o burguês
o proletariado

são paulo goiás pernambuco
ceará tocantins maranhão
que mistério tem eunuco
pra não ser mais garanhão

que mistério tem a lapa
o tapa na cara do povo
que mistério tem o velho
que mistério tem o novo

acari madureira inhaúma
que mistério tem pavuna
pão de açúcar
corcovado

que mistério tem a ilha
o planalto de brazilha
pra Renan mais uma vez
ser presidente do senado

Artur Gomes
FULINAÍMA MultiProjetos
portalfulinaima@gmail.com


terça-feira, 13 de dezembro de 2016

fulinaímicas


A Arte Existe Porque A Vida Não Basta


me disse Gullar primeiramente
para que eu mesmo entendesse
o que até então eu fazia
dentro da noite veloz
ou na vertigem do dia


as metáforas
figuras de linguagens
as fulinaimagens
sagaranagens
adrenalinas
lá no sub consciente
e até mesmo inconsciente
nas voragens de você
minha alma feminina

Artur Gomes
foto.poesia

com os dentes cravados na memória


tecidos sobre a terra

Terra,
antes que alguém morra
escrevo prevendo a morte
arriscando a vida
antes que seja tarde
e que a língua
da minha boca
não cubra mais tua ferida

entre/aberto
em teus ofícios
é que meu peito de poeta
sangra ao corte das navalhas
e minha veia mais aberta
é mais um rio que se espalha

amada de muitos sonhos
e pouco sexo
deposito a minha boca no teu cio
e uma semente fértil
nos teus seios como um rio
o que me dói é ter-te
devorada por estranhos olhos
e deter impulsos por fidelidade

ó terra incestuosa
de prazer e gestos
não me prendo ao laço
dos teus comandantes
só me enterro à fundo
nos teus vagabundos
com um prazer de fera
e um punhal de amante

minha terra
é de senzalas tantas
enterra em ti
milhões de outras esperanças
soterra em teus grilhões
a voz que tenta – avança
plantada em ti
como canavial que a foice corta
mas cravado em ti
me ponho a luta
mesmo sabendo – o vão
estreito em cada porta

usina
mói a cana
o caldo e o bagaço

usina
mói o braço
a carne o osso

usina
mói o sangue
a fruta e o caroço

tritura suga torce
dos pés até o pescoço
e do alto da casa grande
os donos do engenho controlam
: o saldo e o lucro

Artur Gomes
FULINAÍMA MultiProjetos

do livro: Suor & Cio 1985

foto.poesia


Metades

metade do corpo oculta
sob os tecidos que te esconde
a outra metade à flor da pele
pluma em pelos
pétala branca montes claros
lente pulsando sobre um corpo
dentro da luz amanhecendo 
do outro lado do espelho
meu olho gótico TVendo

Artur Gomes
sobre a foto de Mariana Mocaiber

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

a chuva



a chuva

chove em meu quintal
de sirigüela e cajá manga
a vida pulsa
a vida sangra
a vida ataca
explode em folhas de alfavaca
em sementes de tomate
em frutos de mamão
em cheiros de hortelã
na casca da goiaba
na carne da romã

hoje de manhã
uma formiga carregava
um caminhão em suas costas
não tenho respostas
para lei da gravidade
o vértice da solidão
rente a parede ainda anda
e a rede na varanda
vai e vem  sem desespero.

Artur Gomes
foto.poesia
FULINAÍMA MultiProjetos 




segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

beija flor




beija flor

amo como um pássaro quando voa
canto como uma pássaro quando pousa
em um fio elétrico sem temer o choque 
ando como quem trama um truque
e chego como quem planeja o toque

a vida não é mais que um plug elétrico
um grito de guitarra uma centelha 
esta mulher em minha carne
além da pele que me espelha

é um fio elétrico que me vaza
um beija flor que me espalha
luz por todos os poros da casa 
e o mel  do  útero de uma abelha

Artur Gomes 
foto.poesia
FULINAÍMA MultiProjetos



quarta-feira, 30 de novembro de 2016

pontal.foto.grafia

 


Aqui
redes em pânico
pescam esqueletos no mar
esquadras - descobrimento
espinhas de peixe convento
cabrálias esperas relento
escamas secas no prato
e um cheiro podre no AR

caranguejos explodem
mangues em pólvora

Artur Gomes
foto.poesia
in Pontal Foto.Grafia