quinta-feira, 21 de abril de 2016

poétikas



De caça a caçador

Para alcançar palavras que nos fogem
preciso é acarpetar os passos
velar de espesso véu nosso desejo
e esperá-las
caiados
de tocaia.
Sempre haverá um momento
de descuido
em que a palavra
recolhidas asas
pousará sobre a língua
e será nossa.

Entrementes
há que tomar cuidado.
Assim com as caçamos
palavras há também 
em cada esquina
prontas
com unha e dente
a nos saltar em cima.

Marina Colasanti
Poesia do Brasil - Vol. 17
Ed. Grafite - XXI Congresso Brasileiro de Poesia
Bento Gonçalves-RS - outubro 2013



Poética 9

eu sou drummundo
e me confundo
na matéria amorosa
posso estar
na fina flor da juventude
ou atitude
de uma rima primorosa
e até na pele/pedra
quando invoco
me desbundo
e baratino
então provoco
umbarafundo cabralino
e meto letra
no meu verso
estando prosa
e vou pro fundo
do mais fundo
o mais profundo
mineral
guimarães rosa

Artur Gomes
Poesia do Brasil - Vol. 17
Ed. Grafite - XXI Congresso Brasileiro de Poesia
Bento Gonçalves-RS - outubro 2013



Poética 78

a água escorre em tua pele pêssego
maçã entre meus dedos – beija-flor
na minha língua teu nome de mulher 
frente ao espelho na grafia da foto te procuro
nua em pelo – até o ponto em que estás
despida de qualquer roupa que te veste
a água desce
molha em teu pulsar suor & cio
escorre um rio entre teus olhos
um mar de espera em brancas horas
brumas são teus cílios – mãos
que em mim demoram
e vazam veias neste sangue rente
as tuas pétalas já em desalinho
na espuma branca dos lençóis de rendas 
- em tuas fendas por onde bebo - o vinho

Artur Gomes 

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