quarta-feira, 29 de junho de 2016

Tragi-Comédia Absurda - O Espelho

 


Cia Desafio de Teatro - apresenta:
A Tragi-Comédia Absurda - O Espelho

Criada em 2014 na cidade fictícia de BraziLírica Pereira: A Traição das Metáforas, a Cia Desafio de Teatro produziu e encenou os espetáculos: Nos Tempos da Foto Novela, Uma Noite de Natal e Waterkis  - Selecione Água. Saídos de sua cidade natal, os atores da Cia,  vieram parar em - goyta city, ex-Campos dos Goytacazes - e por falta de condições para sobreviver da sua arte passaram a mendigar pelas ruas da cidade o Pão Nosso de Cada Dia.

Maltrapilhos e desamparados e sem espaço próprio para desenvolverem sua Arte, além da falta de incentivo e diálogo com o poder público municipal, os atores ocuparam um Casarão Histórico abandonado e o transformaram em Teatro. 

Neste ano de 2016 depois de Cristo, provocados pelo seu Diretor, os atores da Cia. começaram a desenvolver o processo de criação da Tragi-Comédia Absurda - O Espelho, inspirada em fragmentos de peças dos dramaturgos Fernando Arrabal e Eugene Ionesco. Os ensaios vem acontecendo no SESC às Quintas e Sábados, com apresentações previstas para acontecer em dezembro.

Curso de Artes Cênicas - O Espelho
Quintas-Feiras - das 15 às 18h
Sábados - das 14 às 17h
SESC Campos - grátis

Direção: Artur Gomes



terça-feira, 28 de junho de 2016

mocidade independente



Mocidade Independente

sou tudo o que não sei
você bem sabe o que sou 
nessa sociedade falida
meto a língua na ferida
bem antes de ser metida
por detrás ou pela frente

no carnaval dos inocentes
serei sempre independente
no maraca futebol
faça chuva ou faça sol

não troco meu corpo insano
por um reles besteirol
na areia sou arraia
eu tenho a carne na unha
não me chamo chamo malafaia
muito menos sou alcunha


Mocidade Independente de Padre Olivácio - A Escola de Samba Oculta no Inconsciente Coletivo 
http://carnavalhagumes.blogspot.com.br/2016/06/mocidade-independente.html








o espelho



Cia Desafio de Teatro - apresenta:
O multi-espetáculo - O Espelho
texto de abertura

ator-narrador -

senhores e senhores a nossa obra de arte
sai da cabeça de quem está procurando o que fazer.
não sei se vocês vão entender. mas não importa
vamos abrir a porta para a luz do sol entrar.
a nossa obra consiste pra mostrar pra quem assiste
que cada qual tem sua sina. e o palhaço mal-me-quer
vai roubar tua mulher. nesta noite severina
Odara me deu um corte me mandou pra outra esquina. 
mas hoje  estou com sorte vou prender esta menina na sola do meu sapato nem que seja o último ato do papel que me destina a cia desafio de teatro.

enquanto o ator narrador vai saindo de cena
o elenco vai entrando cantando em coro as cantorias de roda:

mandei fazer uma casinha de farinha
tão bonitinha para o meu amor passar
oi passa sol passa chuva passa vento
só não passa o movimento do cirandeiro a rodar


Curso de Artes Cênicas - O Espelho
SESC  Campos - grátis
Quintas-Feiras - das 15 às 18h
Sábados - das 14 às 17h
Direção: Artur Gomes



segunda-feira, 27 de junho de 2016

delírica


poétika morábilis 2
para Dandhara Juddi

escrever um poema
as vezes custa muito
outras vezes custa nada
ou pode custar tudo
se ele vem como um cavalo
em disparada
pelas luas da noite
ou estrelas da madrugada

mas é preciso sempre
soltar as rédeas desse  cavalo
na retina dos olhos das aquarelas
para não deixá-lo trancado
em currais  cercas   cancelas




delírica passarinhada

como um bem-me-quer
pelos lençóis sagrados
em algum mistério da santicidade
todo segredo deve ser guardado
na folha ou fruto da semente santa
o que semeio minha alma canta
o que em teu corpo o coração depara
Dandhara linda arara rara
em que floresta ainda vou compor
meu canto livre pra tua pele clara
eu quero quero como um beija-flor

Artur Gomes

Tupi Or Not Tupi?

Tupi Or Not Tupi ?
Texto da minha querida amiga Dalila Teles Veras, apresentado no SESC Consolação São Paulo, na programação do evento: Retalhos Imortais do SerAfim – Oswald de Andrade Nada Sabia de Mim – Realizado pelo SESC-SP em outubro de 1995. - projeto idealizado por  Artur Gomes. 
A Evocação de Oswald
oswald-de-andrade2

Apesar dos trocentos tratados e achômetros que compõem a hoje grandiosa fortuna crítica de Oswald de Andrade, surgida em sua grande parte em 1990, ano em que se comemorou o centenário de seu nascimento, ocasião em que o escritor e sua obra foram presença obrigatória em todos os cadernos literários e espaços culturais do país, arrisco-me a voltar a ele, homenagem atemporal, desligada de efemérides, uma vez que, passada a festa e o porre de Oswald de mídia à época, seus livros voltaram para a prateleira, assim como ocorria em vida do autor, biscoitos finos demais para uma de fast food.
Para o “garoto propaganda da Semana de 22”, que, na opinião de Otto Lara Resende, “possuía o senso do espetáculo”, não deve ter sido fácil terminar a vida melancolicamente, com a frustração de jamais ter visto encenada uma peça sequer das muitas que escreveu. Seu livro “Serafim Ponte Grande” (que junto com “Memórias Sentimentais de João Miramar” e “Poesia Pau Brasil”, representam o melhor de sua obra de acordo com Antonio Cândido), até o momento de sua morte, encontrava-se impresso em uma pequena edição, mal distribuída, assim como os outros livros seus que até então não haviam ultrapassado tiragens de 500 exemplares.
 Poderíamos dizer aqui que Serafim Ponte Grande radicalizou o que em Memórias Sentimentais de João Miramar, Oswald já inaugurara, ou seja, o romance invenção, de cortes cinematográficos. Ainda assim, um romance. Mas isso tantos já disseram. Ou dizer, ainda, que Serafim é um “grande não-livro”, parafraseando o próprio autor, ou “um livro feito de pedaços ou amostras de vários livros possíveis” mas isso também foi o Haroldo de Campos quem disse. Seria possível talvez falar aqui da hoje já quase mitológica vida de Oswald, que o tempo todo se confundiu com a arte, mas isso também não seria inédito, pois Antonio Candido cedo descobriu que de um homem como Oswald podemos dizer que a existência é tão importante quanto a obra, ou ainda, que Oswald criou uma filosofia de vida chamada antropofagia e mais uma vez isso não seria meu pois é de José Paulo Paes. 
Sacralizado na década de 90, quarenta anos após a sua morte, Oswaldo continua um escritor maldito, ainda não deglutido nem saboreado o suficiente até os dias de hoje, conforme era seu desejo (era mesmo?). Antes de enveredar por caminhos que certamente me fariam ganhar do nosso Oswald a peja de “chata girl”, escapo de qualquer formalidade crítica e tento, aqui, uma singela e desajeitada homenagem antropofágica, ao criador da própria:
SERAFIM OSWALD PONTE GRANDE DE ANDRADE
POR ELE MESMO
“O Brasil é uma República cheia de árvores e de gente dizendo adeus. Salvas de canhão anunciam o feriado nacional. Não vou à parada. Estou ficando anti-militarista. Meu caro amigo, o Brasil é isso. Daqui a vinte anos os Estados Unidos nos imitarão. Modéstia à parte, tenho um canhão e não sei atirar. Mas, para defender a liberdade de pensamento, eu iria às barricadas! Amorosamente, passionalmente, raivosamente, iradamente, tenho atirado a esmo contra certeiros alvos.
 Cérebro, coração e pavio. Sei o que não quero: o provincianismo, a literatura brasileira de vanguarda suspeita. Ao contrário do deles, o meu relógio anda sempre pra frente. Poeta da radicalidade, sempre vou até as últimas conseqüências, mas às vezes sou tomado de um desânimo enorme e por pouco não durmo no banco da Praça da República e de repente descubro que o Brasil é parecido com aquela praça. 
Sim muita gente dizendo adeus. Digo eu mesmo adeus aos meus sentimentos e observo os acontecimentos. Simplesmente, passo a relatá-los. Narrador e personagem, dispenso comentários. Observo: Lalá passou mal a noite… Não morreu… Vi um sujeito morrer… Passei o dia de fraque… Empreendo uma viagem a bordo de um barco a querosene e vela, luxuoso e rápido paquete e, na ausência de bons livros leio o dicionário de bolso da lavra do meu secretário José Ramos Góis Pinto Calçudo, um inventário das pessoas que ele conheceu (ou conhecemos?).
 Descubro também que há muito mais gente boa por aí do que se propala. A felicidade do homem é uma felicidade guerreira. Viva a rapaziada! O gênio é uma longa besteira, por isso mesmo, lanço-me, mar a fora, a sucessivas aventuras que não acontecem. Aproprio-me de tudo, inclusive de todas as mulheres, elaboro um manual de paixões. Kamiá rainha dos estudantes de Montmartre, Carmem Lídia bailarina Landa, Miss Daisy normalista Cyclone, Tarsila Abapuru Amaral, Patrícia Pagu Galvão, Pilar Ferrer, Dona Lalá, Julieta Guerrini, Isadora Duncan e, em últimas núpcias, cântico dos cânticos, reencontro materno, Maria Antonieta d´Alkmin. 
Burguês, faço conferência na Sorbonne; comunista, no Sindicato dos Padeiros. Rico num momento, pobre noutro, rico novamente e, fatigado das minhas viagens pela terra, de camelo e táxi, escrevo um não-romance, o necrológio da burguesia, tentando ao anarquismo enrugado, epitáfio do que fui, apropriando-me sem escrúpulos das frases feitas e do ridículo da sociedade tupiniquim, escrito de 1929 (era de Wall-Street e Cristo) para trás.
Encerrei, em 1954, o ciclo de minha vida com a frase lapidar de um poeta: Fim da dor.
Estava certo de não deixar contemporâneos, mas não calculava os inúmeros órfãos que deixaria. Concretos, tropicalistas, pós-concretos, visuais, todos em busca de possíveis retalhos que deixei pelos caminhos que percorri, canhão sempre pronto e em chamas”.
Texto apresentado na mesa de debates “SERAFIM PONTE GRANDE, O LIVRO NÃO LIVRO”, dentro do Evento Retalhos Imortais do SerAfim- Oswald de Andrade Nada Sabia de Mim -  no SESC Consolação, 16 a 21 de outubro de 1995 - projeto idealizado por Artur Gomes