terça-feira, 30 de agosto de 2016

XXIV Congresso Brasileiro de Poesia


XXIV Congresso Brasileiro de Poesia
 12 a 17 de setembro - Bento Gonçalves-RS
Poeta Homenageado: Hugo Pontes


Do Vinho e Da Uva

beber no teu vale dos vinhedos
o vinho que escorre em chafariz 
comer da tua carne como uva
nos parreirais do corpo sem mistérios
quantos silêncios atravessaram
tuas salas quartos portas e paredes
nos hotéis onde ficamos enclausurados
por semanas nestes mais de tantas anos
antepassados por fervor a poesia
que nem mesmo alguma algaravia
fosse de longe o que és em nossa estrada

foram 20 foram mais de 20 poucos
todo poeta é meio cínico meio médico
meio louco - esconde por detrás
da carnadura a verdadeira sanidade
a translucidez dessa loucura 
eu tenho Bento entre as cartilagens
dos meus dedos - e as nervuras
na santidade das meninas - as garotas
que conheci pelos cassinos 
por tanta noite que amanheceu despetalada
lambendo as ruas e os cabarés
nalguma entrada que me gerou poema tanto
bolero blue eu escrevi na carne amada

Artur Gomes 




segunda-feira, 22 de agosto de 2016

A Poética do Ciúme da Poética

Federico Clarice e Odara 

A Nossa  Casa É um Teatro
cena -  a poética do ciúme da poética

Federico - Odara qual foi que marcamos as 13 e 15 e  você não apareceu?

Odara - pra que eu iria aparecer se as 13 e 15 você marcou com Clarice também.

Clarice - Odara, mas ele marcou pra gente ensaiar

Odara - quanta coincidência! Meus Deus não é possível, vocês querem me fazer de idiota?

Federico - não estou te entendendo, depois você diz, que estou inventando, quando digo que você quer e finge que não quer.

Odara - eu quero o que?

Clarice - Odara eu estou achando que você é bipolar! Que coisa estranha, uma hora está de  um jeito e de repente está de outro

Odara - Clarice acho que bipolar são teus óculos que não estão me enxergando direito.

Clarice - Meu Deus, deixa eu sair de cena senão vai acabar eu apanhando aqui

Federico - por quê trancar as portas tentar proibir as entradas se seu já habito os teus cinco sentidos e as janelas estão escancaradas?

Odara - um beija flor risca no espaço algumas letras de um alfabeto grego, signo de comunicação indecifrável. Eu tenho fome de terra e esse asfalto sob a sola dos meus pés agulha nos meus dedos.

Federico - quando piso na Augusta, o poema dá um tapa na cara da Paulista. Flutuar entre o real e o imaginário João Guimarães Rosa, Caio Prado, Martins Fontes, um bacanal de ruas tortas.

Odara - eu não sou flor que se cheire nem mofo de língua morta

Federico - o correto deixei na cacomanga matagal onde nasci. com os seus dentes de concreto São Paulo é quem me devora e selvagem devolvo a dentada na carne da rua Aurora.

Odara - nesses dois olhos discretos há um poema concreto simbolista quase secreto agulha na minha vista sangue profano na veia

sangue profano na veia nesses dois olhos discretos
simbolistas quase secretos como um poema concreto
no prato da santa ceia

Federico - rasguei as velas que teci em tempestades rompi as noites em alto mar de maresias pensei teu corpo pra amenizar tanta  saudade e vi teus olhos em cada vela que tecia.
este teu olho que me olha azul safira ou mesmo verde esmeralda fosse pedra – pétala rara carne da matéria doce ou mesmo apenas fosse esse teu olho que me molha quando me entregas do mar toda alga que me trouxe.

Odara - Você só quer saber de metáforas meta física entre linhas, percebo em cada poema que a tua mística não é minha, tem alguma outra Gisele nesta flor da tua pele que é Sagarana e  curuminha.

Federico - por enquanto  vou te amar assim em segredo  como se o sagrado fosse  o maior dos pecados originais  e minha língua fosse  só furor dos Canibais  e essa lua mansa fosse faca  a afiar os versos que inda não fiz  e as brigas de amor que nunca quis  mesmo quando o projeto aponta outra direção embaixo do nariz e é mais concreto  que a argamassa do abstrato
por enquanto vou te amar assim
admirando teu retrato pensando a  minha idade
e o que trago da cidade embaixo as solas dos sapatos


Curso de Artes Cênicas - O Espelho
SESC Campos 
Direção: Artur Gomes 


Oxum


Oxum

a minha mãe é uma leoa
ai de quem ameaçar um filho dela
ela vira um bicho uma fera
para defender a sua cria
a minha Oxum é de Xangô
e seu amor é nossa guia


Jura Secreta 55


Xangô é parte da pedra
Exu fagulha de ferro
Ogum espada de aço
faz do meu colo teus braços

Oxossi é carne da mata
Yansã é fogo vento tempestade
Iemanjá água do mar
Oxum é água doce

Oxalá em ti me trouxe
te canto com0 se fosse
um novo deus em liberdade



Jura Secreta 54

moro no teu mato dentro
não gosto de estar por fora
tudo o que me pintar eu invento
como um beijo no teu corpo agora

desejo-te pelo menos enquanto resta
partícula mínima micro solar floresta
sendo animal da Mata Atlântica
quântico amor ou meta física
tudo que em mim não há respostas

metáfora dAlquimim fugaz Brazílica
beijo-te a carne que te cobre os ossos
pele por pele sobre as tuas costas

os bichos amam em comunhão na mata
como se fosse aquela hora exata

em que despes de mim o ser humano
e do corpo rasgamos todo pano
e como um deus  pagão pensamos sexo

Artur Gomes
foto.poesia
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domingo, 21 de agosto de 2016

jura secreta


Jura Secreta

naquele mar de música
era toda meta física
pela tarde quântica

comunhão e prece
no sentido culto de estar na pele
dos teus olhos raros que o poema tece
como um rio claro onde mergulhar


 As Flores do Mal
para Uilcon Pereira - in memória

ontem desfolhei meu mal-me-quer
cheirando as Flores do Mal
de Charles Baudelaire

o mar não estava pra peixe
matou meu lírio dourado
a luz não me veio em feixe
eu estava Assombradado

Artur Gomes
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sábado, 20 de agosto de 2016

poétika verde

Gisele Canela

entre folhas uma pétala rara
deixa minha manhã mais clara
e o dia iluminado por inteiro

Artur Gomes
foto.poesia

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

jura secreta re-visitada


jura secreta re-visitada

como se fosse infinita estrada
provocando descaminhos
desafiando caminhadas
clarice diante do espelho
no mar do precipício
transparece o corpo em algazarra
a farra do vestido ao vento
mastigando meus instintos
carne e noite a dentro


anda pelo ar
uma palavra cósmica
pétala de vênus

flor de lótus
flor de lírios
baby cadelinha

a palavra menos
na flor bela é dela
não é minha

Artur Gomes
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linguagem movimento


linguagem/movimento

anda pelo ar
uma palavra interrogação
o que será?
o caranguejo
o beijo
objeto do desejo
linguagem movimento
ou será o éter pelo vento
escorrendo em minhas mãos?
onda que não cessa
nuvem cerebral espessa
sob um céu de capricórnio
extensa teia que aranha
nunca cessa de tecer

Federico Baudelaire

foto: Artur Gomes




na vertigem do dia

uma nuvem tenebrosa
sob um céu de agosto
onda nebulosa
debruça no meu rosto
quando Yemanjá me espera
onde tudo é posto
o amor meu desespero
no corpo em desalinho
o mar do meu sossego
na uva do teu vinho

Federika Lspector




desejo confesso

tenho desejos no corpo
entrando no cu-tovelo
e toda noite de agosto
aumenta meu pesadelo
se Netuno ainda mora no mar
irá ouvir meu apelo
me leva pra outro mar
para eu dourar os meus pelos.

Gigi Mocidade



 

jura secreta 4

a menina dos meus lhos
com os nervos à flor da pele
brinca de bem-me-quer
ela ainda pensa que é menina
mas já é quase uma mulher

Artur Gomes

isadora zechin - foto: Artur Gomes

ando perdendo o sono
com uma formiga
que me atravessa o corpo
nem sei de onde vem
nem para onde vai
mas me perfura a carne
os nervos os músculos
não é justo logo comigo
essa maldita aflição
esse pedaço de desassossego
dentro da vertigem
sem nenhuma explicação

Gigi Mocidade





Ode a Iansã

durante o amor o beijo é tempestade

o coito é mar de fogo o corpo é ventania


o punhal de vênus 

me penetra a boca
abaixo do umbigo

convido então o mar

o rio o vento
tudo em movimento
pra gozar comigo


depois do amor o corpo é maresia

o mar o rio o vento
cessa o movimento
no meu corpo em calmaria


Federika Lispector




domingo, 14 de agosto de 2016

foto poesia


a luz me vem em feixe
quando em pleno ar
avisto um peixe



aqui
os ponteiros
mordem os músculos
do relógio
com seus profanos dentes
onde não tem amanhã
nem ontem
só presente

projeto foto poesia
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quarta-feira, 10 de agosto de 2016

rio em pele feminina



rio em pele feminina

o rio com seus mistérios 
molha meu cio em silêncio 
desejo o que nos separa 
a boca em quantos minutos 
as flores soltas na fala 
o pó dos ossos dos anos

você me diz não ter pressa 
seus olhos fogo na sala 
o beijo um lance de dados 
cuidado cuidado cuidado 
que sou um anjo de fadas 
não beije assim meus segredos
meus olhos faróis nos riachos 
meus braços dois afluentes 
pedaços do corpo do rio 
meus seios ilhas caladas 
das chamas não conhece o pavio

se você me traz para o cio 
assim que o sexo aflora 
esta palavra apavora 

o beijo dado mais cedo 
quebra meu ser no espelho 
meu cerne é carne de vidro 
na profissão dos enredos 
quanto mais água me sinto 
presa ao lençol dos seus dedos

o rio retrata meu centro 
na solidão de mim mesma 
segundo a segundo nas águas 
lá onde o sol é vazante 
lá onde a lua é enchente 
lá onde o rio é estrada
onde coloca seus versos 
me encontro peixe e mais nada

artur gomes
foto.poesia



Alucinações InterPoÉticas


Alucinações InterPoÉticas

o que mora em tua boca bia
um deus um anjo
ou muitos dentes claros
como os olhos do diabo
e uma estrela como guia?

o que arde em tua boca bia
azeite sal pimenta e alho
résteas de cebola
carne crua do kralho
um cheiro azedo de cozinha
tua boca é como a minha?

o que pulsa em tua boca bia
mar de eternas ondas
que covardes não navegam
rios de águas sujas
onde os peixes se apagam

ou um fogo cada vez mais Dante
como este em minha boca
de poeta delirante
nesta noite cada vez mais dia
onde acendo os meus infernos
em tua boca bia?

Artur Gomes
in Couro Cru & Carne Viva


domingo, 7 de agosto de 2016

pontal foto grafia


Pontal.Foto.Grafia

Aqui,
redes em pânico
pescam esqueletos no mar
esquadras descobrimento
espinhas de peixe - convento
cabrálias esperas relento
escamas secas no prato
e um cheiro podre do AR

caranguejos explodem
mangues em pólvora
ovo de colombo quebrado
areia branca - inferno livre
rambaud - áfrica virgem
carne na cruz dos escombros
trapos balançam varais
telhados bóiam nas ondas
tijolos afundando náufragos
último suspiro da bomba
na boca incerta da barra
esgoto fétido do mundo
grafando lentes na marra
imagens daqui saqueadas
jerusalém pagã visitada
atafona pontal grussaí
as crianças são testemunhas
:
jesus cristo não passou por aqui

milos davis fisgou na agulha
oscar no foco de palha
cobra de vidro sangue na fagulha
carne de peixe maracangalha
que mar eu bebo na telha
que a minha língua não tralha
penúltima dose de pólvora
palmeira subindo a maralha
punhal trincheira na trilha
cortando o pano a navalha
fatal daqui pernambuco
atafona pontal grussaí
as crianças são testemunhas
:
mallarmè passou por aqui

bebo teu fato em fogo
punhal na ova do bar
palhoças ao sol - fevereiro
aluga-se teu brejo no mar
o preço nem deus nem sabre
sementes de bagre no porto
a porca no sujo quintal
plástico de lixos no mangue
que mar eu bebo afinal?

projeto foto poesia
FULINAÍMA MultiProjetos
Artur Gomes - poesia.fotografia
portalfulinaima@gmail.com

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