segunda-feira, 22 de agosto de 2016

A Poética do Ciúme da Poética

Federico Clarice e Odara 

A Nossa  Casa É um Teatro
cena -  a poética do ciúme da poética

Federico - Odara qual foi que marcamos as 13 e 15 e  você não apareceu?

Odara - pra que eu iria aparecer se as 13 e 15 você marcou com Clarice também.

Clarice - Odara, mas ele marcou pra gente ensaiar

Odara - quanta coincidência! Meus Deus não é possível, vocês querem me fazer de idiota?

Federico - não estou te entendendo, depois você diz, que estou inventando, quando digo que você quer e finge que não quer.

Odara - eu quero o que?

Clarice - Odara eu estou achando que você é bipolar! Que coisa estranha, uma hora está de  um jeito e de repente está de outro

Odara - Clarice acho que bipolar são teus óculos que não estão me enxergando direito.

Clarice - Meu Deus, deixa eu sair de cena senão vai acabar eu apanhando aqui

Federico - por quê trancar as portas tentar proibir as entradas se seu já habito os teus cinco sentidos e as janelas estão escancaradas?

Odara - um beija flor risca no espaço algumas letras de um alfabeto grego, signo de comunicação indecifrável. Eu tenho fome de terra e esse asfalto sob a sola dos meus pés agulha nos meus dedos.

Federico - quando piso na Augusta, o poema dá um tapa na cara da Paulista. Flutuar entre o real e o imaginário João Guimarães Rosa, Caio Prado, Martins Fontes, um bacanal de ruas tortas.

Odara - eu não sou flor que se cheire nem mofo de língua morta

Federico - o correto deixei na cacomanga matagal onde nasci. com os seus dentes de concreto São Paulo é quem me devora e selvagem devolvo a dentada na carne da rua Aurora.

Odara - nesses dois olhos discretos há um poema concreto simbolista quase secreto agulha na minha vista sangue profano na veia

sangue profano na veia nesses dois olhos discretos
simbolistas quase secretos como um poema concreto
no prato da santa ceia

Federico - rasguei as velas que teci em tempestades rompi as noites em alto mar de maresias pensei teu corpo pra amenizar tanta  saudade e vi teus olhos em cada vela que tecia.
este teu olho que me olha azul safira ou mesmo verde esmeralda fosse pedra – pétala rara carne da matéria doce ou mesmo apenas fosse esse teu olho que me molha quando me entregas do mar toda alga que me trouxe.

Odara - Você só quer saber de metáforas meta física entre linhas, percebo em cada poema que a tua mística não é minha, tem alguma outra Gisele nesta flor da tua pele que é Sagarana e  curuminha.

Federico - por enquanto  vou te amar assim em segredo  como se o sagrado fosse  o maior dos pecados originais  e minha língua fosse  só furor dos Canibais  e essa lua mansa fosse faca  a afiar os versos que inda não fiz  e as brigas de amor que nunca quis  mesmo quando o projeto aponta outra direção embaixo do nariz e é mais concreto  que a argamassa do abstrato
por enquanto vou te amar assim
admirando teu retrato pensando a  minha idade
e o que trago da cidade embaixo as solas dos sapatos


Curso de Artes Cênicas - O Espelho
SESC Campos 
Direção: Artur Gomes 


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