quarta-feira, 10 de agosto de 2016

rio em pele feminina



rio em pele feminina

o rio com seus mistérios 
molha meu cio em silêncio 
desejo o que nos separa 
a boca em quantos minutos 
as flores soltas na fala 
o pó dos ossos dos anos

você me diz não ter pressa 
seus olhos fogo na sala 
o beijo um lance de dados 
cuidado cuidado cuidado 
que sou um anjo de fadas 
não beije assim meus segredos
meus olhos faróis nos riachos 
meus braços dois afluentes 
pedaços do corpo do rio 
meus seios ilhas caladas 
das chamas não conhece o pavio

se você me traz para o cio 
assim que o sexo aflora 
esta palavra apavora 

o beijo dado mais cedo 
quebra meu ser no espelho 
meu cerne é carne de vidro 
na profissão dos enredos 
quanto mais água me sinto 
presa ao lençol dos seus dedos

o rio retrata meu centro 
na solidão de mim mesma 
segundo a segundo nas águas 
lá onde o sol é vazante 
lá onde a lua é enchente 
lá onde o rio é estrada
onde coloca seus versos 
me encontro peixe e mais nada

artur gomes
foto.poesia



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