sábado, 30 de dezembro de 2017

delírica


dentro da carne que não sai

a carne de maçã: teu corpo devorei a cada dentada metáfora  à flor da pele toda nua me recebeu na cama que era o chão da sala há 6 anos desejava teu corpo como quem deseja um prato de comida quando a fome é tonta  nossa meta é física e o amor é quântico sem lucidez alguma até que passe a fome e o amor acabe

Artur Gomes



Eu sou Umbanda

veja bem meu bem o beijo que não me deste
era gelado e derreteu teu evangelho um sacrilégio
de um mitológico Prometeu não gosto da palavra doce prefiro salamargo pra desintoxicar o fígado o sabor da minha língua é azeite sal pimenta se não agüenta sarta de banda eu sou Umbanda vou pro terreiro de Oxossi sacramentar o meu amor bater macumba na quinbanda e saravá Xangô

Federika Lispector



deLírica

sem meias
palavras
ando descalço
pra pisar a lavra
da palavra chão

Artur Gomes

com os dentes cravados na memória


com os dentes cravados na memória
entre cartas e performances A Traição das Metáforas

agosto 1996  eu acabara de falar o poema Cântico dos Cânticos Para Flauta & Violão, de Oswald de Andrade, no Sarau que rolava no hall do Hotel D´Allonder, em Bento Gonçalves-Rs onde acontecia o 4º Congresso Brasileiro de Poesia. Desci do palco e voltei a me sentar no chão em frente a Juliana Stefani que eu acabara de conhecer naquela noite. Ele me disse que gostaria de aprender a falar poesia daquela forma que acabara de ouvir.

Durante a semana circulando pelas Escolas e por outros espaços onde aconteciam os recitais não mais a vi. Mas quis o destino que voltássemos a nos encontrar, deste vez em fevereiro de 1997 quando ensaiamos e montamos uma performance com poemas de Paulo Leminski ilustrados por ela que apresentamos no point mais agitado das noites de Bentos Gonçalves naquela década, o extinto Bar Cachorro Louco.

A partir daí mantivemos uma longa correspondência via correios, discutindo poéticas, linguagens e arte em geral em  cartas carregadas de admiração mútua. Em 2002 Juliana criou a capa do meu livro BrazLírica Pereira: A Traição das Metáforas.

Artur Gomes

com os dentes cravados na memória
BraZilírica Pereira: A Traição das Metáforas





eclipse do desejo


eclipse do desejo

30 de setembro em sacramento batismo de fogo no balcão da barraca peço cerveja preta encho o primeiro copo e ofereço pra Xangô aline me olha com os olhos incendiados e sob a blusa branca dois pequenos e lindos seios rosados palpitam e me suplicam beijos dos lábios ela tira uma rosa vermelha e me entrega o signo oculto para nunca esquecê-la caminha pela ladeira até a porta da casa dos alcóolicos anônimos fotografa uma estrela cadente abre seu livro e faz um pedido nunca revelado no eclipse do desejo que levarei para toda eternidade

Artur Gomes 



poétika

a poesia revoluciona
quando atinge o estômago do leitor
que seja por amor
o soco na cara o golpe no fígado
a ferida que se abre
quando a palavra corta
como navalha afiada

Federico Baudelaire



auto-defesa

ele enfiou a faca
em minhas coxas
sangrou
e ele ria
pensando que o sexo forçado
poderia acontecer
dei-lhe um tiro na cara
foi o mínimo que pude fazer

Federika Lispector


atentado poético
para Wladimir Mayakovski

a vértebra está quebrada
a flauta já não toca
a mais de século
há muito o templo choca
o ovo da serpente
o vampiro já sugou os corpos
e roubou do povo
a dignidade de ser gente

Mocidade Independente 

atentado poético


poétika

nem santa
nem puta
apenas filha
dessa ilha
seja do que for


Federika Lispector


atentado poético

a hipocrisia aqui é muita
liberdade muito pouca
com meus dentes de navalha
vou rasgas a tua roupa
esse poema beijo/bomba
vai explodir na tua boca

Federico Baudelaire


atentado poético

a construção do poema
parede por parede
tijolo por tijolo
na carne
no osso
na fala
assim o poema vai crescendo
até a explosão da jaula

Gigi Mocidade

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

poétika 69


poétika 69

estou virado no corisco
muito além do avesso
do que chamamos carnaval

sem temer o risco
de lamber tuas belas coxas
e beber água de sal

Artur Gomes
foto.poesia

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

a traição das metáforas


com os dentes cravados na memória
entre cartas e performances A Traição das Metáforas

agosto 1996  eu acabara de falar o poema Cântico dos Cânticos Para Flauta & Violão, de Oswald de Andrade, no Sarau que rolava no hall do Hotel D´Allonder, em Bento Gonçalves-Rs onde acontecia o 4º Congresso Brasileiro de Poesia. Desci do palco e voltei a me sentar no chão em frente a Juliana Stefani que eu acabara de conhecer naquela noite. Ele me disse que gostaria de aprender a falar poesia daquela forma que acabara de ouvir.
Durante a semana circulando pelas Escolas e por outros espaços onde aconteciam os recitais não mais a vi. Mas quis o destino que voltássemos a nos encontrar, deste vez em fevereiro de 1997 quando ensaiamos e montamos uma performance com poemas de Paulo Leminski ilustrados por ela que apresentamos no point mais agitado das noites de Bentos Gonçalves naquela década, o extinto Bar Cachorro Louco.

A partir daí mantivemos uma longa correspondência via correios, discutindo poéticas, linguagens e arte em geral em  cartas carregadas de admiração mútua. Em 2002 Juliana criou a capa do meu livro BraziLírica Pereira: A Traição das Metáforas.

Artur Gomes




segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

alquimia


anti/lírica

um poema bashô aqui
nas 7 paredes do corpo
nos 4 cantos da casa
instigante satírico sarcástico
e ao mesmo tempo
esse ácido lirismo
é como um anjo
de belas brancas asas

Gigi Mocidade




 anti o falso moralismo

logo abaixo do umbigo
entre a flor e o tecido
a boca do desejo
esperando por um beijo
Gigi me dá o que tem de bom
a boca do desejo suja de batom

Federico Baudelaire 


alguimia

uma viagem entre o profano e o sagrado sacramento
o casamento palavra/imagem aline andava os tensos músculos do meu corpo caminhando em minha frente quando olhei pelas fendas da estrada as curvas do teu corpo da nuca ao calcanhar desejei o que estava entre a pele e o tecido ela se voltou num susto e me olhou como se entendesse tudo o que eu pensava naquele transe de cavalo em pradaria galopando o proibido corpo do poema em alquimia

Artur Gomes 

domingo, 26 de novembro de 2017

sessenta e nove



sessenta e nove
agora nunca mais verás de tudo o que ainda sei na república dos fundos o número é apenas 69 nas entre minhas das paredes e o cavalo que pasta entre as cercas de arames farpados e o muro que separa duas famílias em casas  abandonadas  das sagradas escrituras de São Sebastião do sacramento onde aline ainda procura por ali o amor que um dia fui

Artur Gomes



sexta-feira, 24 de novembro de 2017

pérola dourada


pérola dourada

houve um tempo
numa primavera passada
conheci pérola dourada
numa pedra onde o tempo
era saudade
por toda pelegrafia

na minha íris/retina
trouxe a pérola dourada
na menina dos meus olhos
olhando os olhos da menina
em cada pedra que havia

Federico Baudelaire
www.fulinaimicas.blogspot.com 

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

atentado poético


atentado poético

mesmo se eu estivesse nua você nunca saberia quem eu sou muitas vezes  ando trans/vestida com a espada de Ogum Beira Mar tenho o sal entranhado em minhas coxas e o veneno na língua como um poema/pomba que não é da paz um artefato anti/bélico que pode explodir neste instante enquanto V(l)ER.

Federika Lispector

terça-feira, 21 de novembro de 2017

jazz free som balaio


Jazz Free Som Balaio
Para Moacy Cirne
gravada no CD fulinaíma sax blues poesia

ouvidos negros Miles trumpete nos tímpanos
era uma criança forte como uma bola de gude
era uma criança mole como uma gosma de grude
tanto faz quem tanto não me fez
era uma ant/Versão de blues
nalguma nigth noite uma só vez

ouvidos black rumo premeditando o breque
sampa midnigth ou aversão de Brooklin
não pense aliterações em doses múltiplas
pense sinfonia em rimas raras
assim quando desperta do massificado
ouvidos vais ficando dançarina cara
ao Ter-te Arte nobre  minha musa Odara

ao toque dos tambores ecos sub/urbanos
elétricos negróides urbanóides gente
galáxias relances luzes sumos prato
delícias de iguarias que algum Deus consente
aos gênios dos infernos
que ardem gemem Arte
misturas de comboios das tribos mais distantes
de múltiplas metades juntas numa parte

Artur Gomes
www.fulinaimicas2.blogspot.com

sábado, 18 de novembro de 2017

tropicalirismo



Tropicalirismo

Girassóis pousando
nu teu corpo: festa
beija-flor seresta
poesia fosse
esse sol que emana
do teu fogo farto
lambuzando a uva de saliva doce

Artur Gomes
in Couro Cru & Carne Viva


Algaravia

eu  sou o vento
que remove teus cabelos
e repousa em sua face
a outra face do que sente
mas não vê
a palavra que um dia
escreverá - algaravia
nas películas da memória
da ficção que entender

come poesia menina
come poesia
pois não há mais metafísica no mundo
do que comer poesia


Federico Baudelaire


voragem

não sou casta
e sei o quanto custa
me jogar as quantas
quando vejo tantas
que não tem coragem
presa a covardia

eu sou voragem
dentro da noite veloz
na vertigem do dia

Federika Lispector

entre o sonho e o sossego
 :
o pesadelo

Federico Baudelaire

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

mar de búzios


Toda Nudez Não Será Castigada
O que você não V(l)ER no face
será que o face é um braço da TFP
ou será seu corpo inteiro?

mar de búzios

vaza sob meus pés um Rio das Ostras
as minhas mãos em conchas
passeiam o mangue dos teus seios
e provocam o fluxo do teu sangue

os caranguejos olham admirados
a volúpia dos teu cios
quando me entregas o que traz
por entre as praias
e permites desatar
todos os nós do teu umbigo

transbordando Mar de Búzios
oceanos - Atlântico pulsar entre dois corpos
que se descobrem peixes
e mergulham profundezas
qualquer que seja a hora
em que se beijam num Pontal
em comunhão total com a natureza

Artur Gomes