quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

a traição das metáforas


com os dentes cravados na memória
entre cartas e performances A Traição das Metáforas

agosto 1996  eu acabara de falar o poema Cântico dos Cânticos Para Flauta & Violão, de Oswald de Andrade, no Sarau que rolava no hall do Hotel D´Allonder, em Bento Gonçalves-Rs onde acontecia o 4º Congresso Brasileiro de Poesia. Desci do palco e voltei a me sentar no chão em frente a Juliana Stefani que eu acabara de conhecer naquela noite. Ele me disse que gostaria de aprender a falar poesia daquela forma que acabara de ouvir.
Durante a semana circulando pelas Escolas e por outros espaços onde aconteciam os recitais não mais a vi. Mas quis o destino que voltássemos a nos encontrar, deste vez em fevereiro de 1997 quando ensaiamos e montamos uma performance com poemas de Paulo Leminski ilustrados por ela que apresentamos no point mais agitado das noites de Bentos Gonçalves naquela década, o extinto Bar Cachorro Louco.

A partir daí mantivemos uma longa correspondência via correios, discutindo poéticas, linguagens e arte em geral em  cartas carregadas de admiração mútua. Em 2002 Juliana criou a capa do meu livro BraziLírica Pereira: A Traição das Metáforas.

Artur Gomes




segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

alquimia


anti/lírica

um poema bashô aqui
nas 7 paredes do corpo
nos 4 cantos da casa
instigante satírico sarcástico
e ao mesmo tempo
esse ácido lirismo
é como um anjo
de belas brancas asas

Gigi Mocidade




 anti o falso moralismo

logo abaixo do umbigo
entre a flor e o tecido
a boca do desejo
esperando por um beijo
Gigi me dá o que tem de bom
a boca do desejo suja de batom

Federico Baudelaire 


alguimia

uma viagem entre o profano e o sagrado sacramento
o casamento palavra/imagem aline andava os tensos músculos do meu corpo caminhando em minha frente quando olhei pelas fendas da estrada as curvas do teu corpo da nuca ao calcanhar desejei o que estava entre a pele e o tecido ela se voltou num susto e me olhou como se entendesse tudo o que eu pensava naquele transe de cavalo em pradaria galopando o proibido corpo do poema em alquimia

Artur Gomes 

domingo, 26 de novembro de 2017

sessenta e nove



sessenta e nove
agora nunca mais verás de tudo o que ainda sei na república dos fundos o número é apenas 69 nas entre minhas das paredes e o cavalo que pasta entre as cercas de arames farpados e o muro que separa duas famílias em casas  abandonadas  das sagradas escrituras de São Sebastião do sacramento onde aline ainda procura por ali o amor que um dia fui

Artur Gomes



sexta-feira, 24 de novembro de 2017

pérola dourada


pérola dourada

houve um tempo
numa primavera passada
conheci pérola dourada
numa pedra onde o tempo
era saudade
por toda pelegrafia

na minha íris/retina
trouxe a pérola dourada
na menina dos meus olhos
olhando os olhos da menina
em cada pedra que havia

Federico Baudelaire
www.fulinaimicas.blogspot.com 

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

atentado poético


atentado poético

mesmo se eu estivesse nua você nunca saberia quem eu sou muitas vezes  ando trans/vestida com a espada de Ogum Beira Mar tenho o sal entranhado em minhas coxas e o veneno na língua como um poema/pomba que não é da paz um artefato anti/bélico que pode explodir neste instante enquanto V(l)ER.

Federika Lispector

terça-feira, 21 de novembro de 2017

jazz free som balaio


Jazz Free Som Balaio
Para Moacy Cirne
gravada no CD fulinaíma sax blues poesia

ouvidos negros Miles trumpete nos tímpanos
era uma criança forte como uma bola de gude
era uma criança mole como uma gosma de grude
tanto faz quem tanto não me fez
era uma ant/Versão de blues
nalguma nigth noite uma só vez

ouvidos black rumo premeditando o breque
sampa midnigth ou aversão de Brooklin
não pense aliterações em doses múltiplas
pense sinfonia em rimas raras
assim quando desperta do massificado
ouvidos vais ficando dançarina cara
ao Ter-te Arte nobre  minha musa Odara

ao toque dos tambores ecos sub/urbanos
elétricos negróides urbanóides gente
galáxias relances luzes sumos prato
delícias de iguarias que algum Deus consente
aos gênios dos infernos
que ardem gemem Arte
misturas de comboios das tribos mais distantes
de múltiplas metades juntas numa parte

Artur Gomes
www.fulinaimicas2.blogspot.com

sábado, 18 de novembro de 2017

tropicalirismo



Tropicalirismo

Girassóis pousando
nu teu corpo: festa
beija-flor seresta
poesia fosse
esse sol que emana
do teu fogo farto
lambuzando a uva de saliva doce

Artur Gomes
in Couro Cru & Carne Viva


Algaravia

eu  sou o vento
que remove teus cabelos
e repousa em sua face
a outra face do que sente
mas não vê
a palavra que um dia
escreverá - algaravia
nas películas da memória
da ficção que entender

come poesia menina
come poesia
pois não há mais metafísica no mundo
do que comer poesia


Federico Baudelaire


voragem

não sou casta
e sei o quanto custa
me jogar as quantas
quando vejo tantas
que não tem coragem
presa a covardia

eu sou voragem
dentro da noite veloz
na vertigem do dia

Federika Lispector

entre o sonho e o sossego
 :
o pesadelo

Federico Baudelaire

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

mar de búzios


Toda Nudez Não Será Castigada
O que você não V(l)ER no face
será que o face é um braço da TFP
ou será seu corpo inteiro?

mar de búzios

vaza sob meus pés um Rio das Ostras
as minhas mãos em conchas
passeiam o mangue dos teus seios
e provocam o fluxo do teu sangue

os caranguejos olham admirados
a volúpia dos teu cios
quando me entregas o que traz
por entre as praias
e permites desatar
todos os nós do teu umbigo

transbordando Mar de Búzios
oceanos - Atlântico pulsar entre dois corpos
que se descobrem peixes
e mergulham profundezas
qualquer que seja a hora
em que se beijam num Pontal
em comunhão total com a natureza

Artur Gomes




terça-feira, 14 de novembro de 2017

voragem



voragem

não sou casta
e sei o quanto custa
me jogar as quantas
quando vejo tantas
que não tem coragem
presa a covardia

eu sou voragem
dentro da noite veloz
na vertigem do dia

Federika Lispector

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

jura secreta 45



jura secreta 45

de Dante a Chico Buarque 
todos os poetas 
já cantaram suas musas 

Beatriz são muitas 
Beatriz são quantas 
Beatriz são todas 
Beatriz são tantas 

algumas delas na certa 
também já foram cantadas 
por este poeta insano e torto 
pra lhes trazer o desconforto 
do amor quando bandido 

Beatriz são nomes 
mas este de quem vos falo 
não revelo o sobrenome 

está no filme sagrado 
na pele do acetato 
na memória do retrato 
Beatriz no último ato 
da Divina Comédia Humana 
quando deita em minha cama 
e come do fruto proibido 

Artur Gomes

domingo, 12 de novembro de 2017

baby cadelinha





baby cadelinha

devemos não ter pressa
a lâmina acesa sob o esterco de vênus
onde me perco mais me encontro menos
de tudo o que não sei
só fere mais quem menos sabe
sabre de mim baioneta estética
cortando os versos do teu descalabro

visto uma vaca triste como a tua cara:
estrela cão meu gatilho morro
a poesia é o salto de uma vara

disse-me uma vez quem não me disse
ferve o olho do tigre quando plasma
letal a veia no líquido do além
cavalo máquina meu coração quando engatilho

 devemos não ter pressa
a lâmina acesa sob os demônios de Eros
onde minto mais porque não veros
fisto uma festa a mais que tua vera

cadela pão meu filho forro
a poesia é o auto de uma fera

devemos não ter pressa
a lâmina acesa sob os panos quem incesta
perfume o odor final do melodrama
sobras de mim papel e resma
impressão letal dos meus dedos imprensados
misto uma merda a mais que tua garra:

panela estrada grão socorro

a poesia é o fausto de uma farra

Artur Gomes

sábado, 11 de novembro de 2017

com os dentes cravados na memória




Com Os Dentes Cravados na Memória
não sou Pablo Neruda mas - Confesso Que Vivi

 Nesta última quinta-feira fiz um post abrindo o baú de
memórias com foco nos meus tempos de aluno da ETC/ETFC (Escola Técnica de Campos, Escola Técnica Federal de Campos)  lá pelos idos dos anos 60 do século passado. Instituição hoje denominada IFF(Instituto Federal Fluminense). Cheguei a frisar que refletindo sobre aquele tempo poderíamos entender melhor os dias de hoje.

 Aí para vergonha de todos nós, acontece dentro do IFF Campos Campus Centos, acontece esse episódio deplorável de racismo, xenofobia e tantos outros preconceitos ali embutidos praticado por alunos e um professor da centenária instituição, contra estudantes do IFMaranhão que vieram a Campos para apresentação de um projeto cultural.

 Para refrescar a memória de quem se esquece com facilidade, o IIF foi criado em 1909, com o nome de Aprendizes Artífices, por Nilo Peçanha,
um campista que na época ocupou a presidência daRepública. Na certa esses alunos e o professor envolvidos no lamentável episódio não conhecem  nada da História da instituição, que de forma alguma merecem estar ali como alunos e muito menos como professor.

 Nos anos 60/70 como não tínhamos a facilidade tecnológica nem a rede de comunicação que temos hoje, muitos acontecimentos dessa época dentro da ETC/ETFC não tinham repercussão fora dos muros da Escola. A cidade não
tomava conhecimento. Hoje felizmente, graças as redes sociais, a informação se dá num piscar de olhos.

 Com os Dentes Cravados na Memória é um projeto de livro, que pretendo me debruçar sobre ele. Minha vida dentro do IFF se estende de 1961, (quando na ETC me ingressei com aluno do Ginásio Industrial e onde aprendi a ser
Linotipista na Oficina de Artes Gráficas), a 2012, depois de ter passado o período de 1986 a 2003 como professor de Teatro. E de 2011 a 2012 ( período em que fui coordenador da Oficina de Criação e Produção de Vídeo, Oficina esta que foi extinta após a minha saída)

 Muita água rolou pelo leito do rio Paraíba do Sul de 1961
até os dias atuais. Muita história tenho pra contar vividas nos corredores, nas salas de aula, nos pavilhões de Oficinas, por todo esse período, como aluno e depois como servidor público federal. Alguns filósofos gostam de afirmar que História não ensina nada, mas acho que pelo menos nos faz refletir e compreender melhor o Agora.



cacomanga

ali nasci
minha infância
era só canaviais
ali mesmo aprendi
a conhecer os donos de fazendas
e odiar os generais


Artur Gomes
do livro: Suor & Cio - 1985

anti/bíblica




o movimento dos barcos
dia desses ainda me leva
mar a dentro
o sal no centro da gravidade
que se move ainda em mim
quando enlouqueço
o endereço do sentido
ainda não tenho
e ando prenho de saudade
do Pontal que um dia foi

Federico Baudelaire


anti/bíblica

não vou guardar os sábados
em nome de Jesus
e me deixar cruxificada numa cruz
que simboliza dor
aos sábados eu pratico a Arte
de fazer Amor

Federika Lispetor

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

pele grafia



meta metáfora no poema meta
como alcançá-la plena
no impulso onde universo pulsa
no poema onde estico plumo
onde o nervo da palavra cresce
onde a linha que separa a pele
é o tecido que o teu corpo veste
como alcançá-la pluma
nessa teia que aranha tece
entre um beijo outro no mamilo
onde aquilo que a pele em plumo
rompe a linha do sentido e cresce
onde o nervo da palavra sobe
o tecido do teu corpo desce
onde a teia que o alcançar descobre
no sentitdo que o poema é prece
artur gomes



juras secretas



Jura secreta 104
para Celso Borges e Lilia Diniz

faz escuro mas eu canto
Thiago de Mello

eu sou quem morre e não deita
Salgado Maranhão

pros meus afins está difícil
por isso esse novo canto
se o  dia  não amanhecer

Querubins e Serafins
o que será de Parintins
Bumba-Meu-Boi
o que será ?

Maranhão meu São Luiz
o que será de Imperatriz
do povo/boi o que será
do povo/boi o que vai ser?




Jura secreta 75

é abissal
o cheiro de esperma e susto
não fosse o ópio
nem cem anos de solidão
provocaria tal efeito
o peito estraçalhado
por dentes enigmáticos

Monalisa
sangra na Elegia do agora
cada deusa tem seu templo
cada mulher tem sua hora

Artur Gomes

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Profanalha Nu Rio



Profanalha NU Rio
poema antológico e polêmico de Artur Gomes  escrito no início da década, publicado na Antologia: Transgressões Literárias e no seu livro: SagaraNAgens Fulinaímicas.


Profanalha NU Rio

a flecha de São Sebastião
como Ogum de pênis/faca
perfura o corpo da Glória
das entranhas ao coração

do Catete ao Largo do Machado
onde aqui afora me ardo
como bardo do caos urbano
na velha aldeia CariOca
sem nenhuma palavra bíblica
ou muito menos avária
:
orgasmo é falo no centro
lá dentro da Candelária

Artur Gomes
na foto: Tanussi Cardoso, que escreveu um belíssimo prefácio sobre o livro SagaraNAgens Fulinaímicas